Há um grupo enfático, incompreendido como todas as vanguardas, que espanta o planeta desde a década de oitenta do século passado. São as feministas. Mulheres que, usando o próprio corpo, exprimiam em atos públicos, manifestações e performances a histórica injustiça da desigualdade. Reivindicam sua presença, querem sair da escuridão e do silêncio. Querem acesso ao mercado de trabalho, à instrução e à cultura. A inserção na vida política. Esse movimento abalou os alicerces da sociedade, como dizem, machista, cristã, ocidental. Constitui-se na mais importante revolução sofrida pela humanidade. Porém a luta das mulheres não se faz sem feridas, sem marcas de solitárias batalhas. Ao confrontar os sistemas de poder que a submeteram durante séculos, ao deixar o recesso do lar, da “proteção” do pai, do esposo, dos irmãos ou dos filhos para buscar se identificar como sujeito de seu próprio destino, alterando inapelavelmente o rumo da história, paga um preço exorbitante. Sua independência golpeia a estrutura familiar, põe em cheque seu papel de mãe e esposa, de cuidadora da espécie, já que tem sido apenas reconhecida como reprodutora de trabalhadores, intelectuais, santos e guerreiros. Ao reivindicar seu lugar no visível do mundo paga um terrível tributo, porque seus novos papéis, não elidem características que deram à humanidade componentes de afeição, sonho, e poesia. A sociedade que usou a diferença de sexo para estabelecer sua submissão continua sua algoz, em muitos espaços, ignorando a emergência sua cidadania. Uma forma de menosprezo que sempre acompanhou as relações da mulher com o dito sexo forte foi a violência. As mulheres foram silenciadas, transformadas em objetos, apropriadas em seus corpos e sentimentos, tolhidas em suas aspirações e utopias. Mas a forma mais aguda desta subordinação, e que ainda prevalece, é a violência física. Esta põe à mostra o lado mais diabólico do processo de dominação sobre a mulher. Hoje, além de exercício de auto afirmação para homens débeis, parece que se instala como uma revanche contra um ser que tem sido negado em sua humanidade. A mídia está cheia de amantes que dão sentença de morte a mulheres que os desagradam. Recentemente, um namorado de fim de festa, atirou uma moça do segundo andar de sua residência, deixando-a agonizante, sem socorro. Mulheres queimadas, esfaqueadas, esquartejadas, abandonadas como lixo nos matagais, nos rios e praças, é cena cotidiana. Embora tenham avançado, os mecanismos jurídicos de proteção ainda não são suficientes. Para combater a violência contra a mulher é preciso novas respostas. Lamento não poder compreender a totalidade de sua fala, mas procuro conhecer, como quem recebe um viajante estrangeiro com sua história, sua linguagem, sua diferença. Ainda penso, e não vou jogar fora, o dito romântico que em mulher “não se bate nem com uma flor”. E acrescento: ninguém merece apanhar de ninguém. Porque não há esta autoridade que permita, seja quem for, vulnerar ferir, agredir a integridade de outro ser humano. É melhor nos reeducarmos para viver a rica experiência de uma nova e enriquecedora aliança.
Violência contra mulher, uma ferida que sangra
Há um grupo enfático, incompreendido como todas as vanguardas, que espanta o planeta desde a década de oitenta do século passado. São as feministas. Mulheres que, usando o próprio corpo, exprimiam em atos públicos, manifestações e performances a histórica injustiça da desigualdade. Reivindicam sua presença, querem sair da escuridão e do silêncio. Querem acesso […]
POR: Aidenor Aires
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