Iole Ilíada fez um histórico dessa articulação, que se reuniu pela primeira vez em 2009, no México, por determinação do grupo de trabalho do Foro de São Paulo. A expectativa é que as fundações e escolas contribuam na elaboração de idéias sobre o processo político latino-americano e também troquem experiências sobre o trabalho de formação e capacitação política da militância.

Ela também apresentou a proposta do seminário sobre “Os governos progressistas e de esquerda da América Latina — balanço e perspectivas”. Este evento acontecerá de 30 de junho a 3 de julho na cidade do Rio de Janeiro e está sendo organizado pelas fundações Perseu Abramo e Mauricio Grabois. A proposta teve ampla acolhida pelos presentes.

Já a diretora da Fundação Perseu Abramo, Celma Rocha, apresentou a proposta de um encontro sobre a formação política que acontecerá no final de julho, também, no Brasil. A diretora de Formação da Maurício Grabois, Nereide Saviani, também integra a coordenação dessa atividade. Adalberto Monteiro, presidente da Fundação Maurício Grabois, participou desta reunião na qual fez a seguinte intervenção:

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Ideias avançadas para impulsionar a integração solidária da América Latina

Companheiros, companheiras, presentes nesta 3ª reunião de trabalho de Fundações, Escolas, Centros de Capacitação, dos Partidos do Foro de São Paulo, recebam do povo brasileiro, da Fundação Maurício Grabois, nosso fraterno abraço.

É uma alegria, uma honra, participar desta atividade do XVII Encontro do Foro de São Paulo, nesta cidade de Manágua, tão simbólica, tão representativa da épica luta dos povos latino-americanos e caribenhos contra o imperialismo e pelo desenvolvimento soberano e democrático de seus países. O triunfo da Revolução Sandinista, em 1979, além da conquista democrática e patriótica que representou para o povo nicaraguense alimentou de ânimo e esperança as jornadas libertárias, em especial nas Américas. Uma revolução que prossegue proporcionando boas colheitas para o povo desta heroica terra.

Permitam-me dizer algumas palavras sobre a Fundação Maurício Grabois. Ela foi instituída pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em 2008. Maurício Grabois, o patrono de nossa instituição, é um herói do povo brasileiro que morreu, no final de 1973, de armas em punho, na luta em defesa da democracia e contra a Ditadura Militar.

As três finalidades mais gerais da nossa Fundação são: promover estudos, pesquisas e análises nas áreas política, econômica, social e cultural, sobre realidade brasileira e mundial; realizar trabalho de educação política e formação militante; e organizar acervo sobre a história e memória do Partido Comunista do Brasil e do movimento operário e popular. A teoria que defendemos e com a qual realizamos nosso trabalho de estudo e interpretação da realidade é o marxismo, e a perspectiva que cultivamos é o socialismo renovado como futuro promissor para o nosso país e para o mundo.

A Fundação Maurício Grabois tem como prioridade a temática da integração solidária da América Latina e caribenha. Temos a convicção de que nenhum de nossos povos vencerá sozinho, nenhum projeto nacional de desenvolvimento poderá triunfar sem a integração solidária. Estamos convencidos de que a superação do neoliberalismo e o embate com o imperialismo exigem a união de países, governos, povos e movimentos sociais que a ele se opõem.

Com este pensamento, a Maurício Grabois aplaudiu a decisão do Foro de São Paulo de fomentar essa articulação das Fundações e Escolas dos partidos que dele fazem parte. A Maurício Grabois esteve na primeira reunião realizada na cidade do México, em 2009, e na segunda, em Buenos Aires, no ano passado.

O documento-base deste XVII Encontro de Manágua aponta um conjunto de desafios que estão colocados para as esquerdas da América Latina. Desafios que precisam ser enfrentados para que siga com vigor e força o ciclo de lutas e vitórias de nossos povos. Entre eles se destacam as tarefas relacionadas ao campo cultural, ideológico, teórico, educacional e da comunicação. Penso que nesta esfera – a da luta de ideias – é que nossas Fundações e Escolas são chamadas a contribuir.

São importantes as realizações dos governos, dos parlamentos, e sem a presença das forças progressistas no centro das estruturas de poder é impossível dar concretude aos projetos de nossos povos. É indispensável o movimento social, pois a luta do povo é a força motriz das mudanças. Mas sem ideias, sem projetos, não temos nem rumo, nem caminho. Por isso, nosso papel é elaborar e disseminar ideias avançadas que deem respostas aos principais problemas e dilemas das batalhas que travamos em nossos países e em nosso continente. O imperialismo bombardeia diariamente nossos povos com mentiras e mensagens alienantes através de seu poderoso complexo midiático e de sua indústria cultural. Impõe que nossa ação se contraponha a essa imposição e contribua para a hegemonia de um projeto alternativo ao neoliberalismo e ao capitalismo.

A atual crise estrutural do capitalismo – apesar da instabilidade, das ameaças, das guerras provenientes de sua lógica e das ações do imperialismo estadunidense para tentar conter seu declínio crescente – oferece também oportunidades para vicejar as bandeiras de desenvolvimento, soberania, democracia e vida digna para os nossos povos.

Neste contexto, a Fundação Maurício Grabois está empenhada, junto com a Fundação Perseu Abramo, na organização do Seminário internacional “Governos de Esquerda e progressistas na América Latina e no Caribe: balanço e perspectivas”. Evento que se realizará de 30 de junho a 03 de julho de 2011, na cidade do Rio de Janeiro. De igual o modo, o Encontro de metodologias de formação política, a se realizar no final do próximo mês de Julho, também no Brasil.

Esperamos, para esses dois eventos, de abraços abertos todos os companheiros do Foro de São Paulo. O Seminário, pela sua pauta, pela sua dimensão, pela qualidade dos expositores e do conjunto dos participantes, nos apresentará esse rico e diverso panorama dos desafios, problemas, vitórias, êxitos do presente e do futuro da jornada de emancipação nacional e social de nossos povos. Quanto ao Encontro de Formação a importância dele vem das lições da própria história latino-americana: sem quadros e militantes forjados na luta e armados com a consciência revolucionária, nossos partidos não podem cumprir as tarefas históricas que estão chamados a desempenhar.

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Colaborou, de Manágua, Adalberto Monteiro