Zóio Azur

“…Primeiro era o campo aberto, descampado, sem divisas…
Com fronteiras imprecisas, mundo sem longe nem perto..
Eu era o índio liberto, barbaresco e peleador
Rei de mim mesmo, senhor da natureza selvagem,
A religião da coragem e o sol de bronze na cor…”
Trecho de uma Pajada de Jayme Caetano Braun – gaucho e pajador

-Quem será este ameríndio; esse silvícola, vestido com folhas da hiléia, que fala Nhengatu e Caipirês e mora aqui nesta Pindorama, nas Terras de Piratininga?

Os zóio azur da muié dos meu sonho,
Dexô cravado indrento do meu coração
Um amô; -daqueis que parece que num inziste
Mais que marcô nos meu sonho, por pura ilusão

Réstia de luiz; azur como o infinito
Que me alumia tudo us tempo dessa vida
-Que mai posso pedí pro meu bom Deus,
Senão num dexá esse zóio azur de me dá guarida?

…………….
-Na casa de meu Pai há muitas moradas! Numas se fala com sotaque gauchês; noutra se ouve a herança do baiano genial; na minha, se fala de amores; amores entre homem e mulher e entre um caipira e a Língua Portuguesa.

-Saiba, português: este é o nosso índio brasuca, o fidalgo da nossa terra!
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"…Um calção de pindoba a meia zorra
Camisa de urucu, mantéu de arara,
Em lugar de cotó, arco, e taquara,
Penacho de guarás em vez de gorra… "

Trecho de soneto de /Gregório de Matos

     Autor: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 7 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de três outros publicados em antologias junto a outros escritores.