Vito obteve a decisão inédita do Ministério da Justiça, reavendo o visto de permanência, publicada no Diário Oficial da União no dia 18 de novembro de 2011. O padre italiano foi pároco na cidade de Ribeirão (PE), ligado a Diocese de Palmares, entre os anos de 1975 a 1980.

Durante o período em que ele ficou à frente da paróquia de Ribeirão, desenvolveu trabalhos religiosos voltados para ajudar comunidades carentes e trabalhadores de cana-de-açúcar. Vito deverá participar das atividades religiosas em comemoração aos 50 anos da Diocese de Palmares, que começam no próximo dia 13.

Segundo o presidente da CNBB, região Nordeste 2, dom Genival Saraiva de França, ao saber da decisão da Justiça, Vito sinalizou o desejo de voltar a morar no Brasil. “Ele quer voltar para Ribeirão, mas vamos entrar em entendimento com a Diocese de Úmbria, no norte da Itália, porque o padre Vito desenvolve trabalhos religiosos há três décadas”, afirmou.

A expulsão

Vito teve o visto cancelado em setembro de 1980 e foi expulso do Brasil depois que se recusou a celebrar duas missas impostas pela prefeitura na programação dos feriados de Sete de Setembro, independência do Brasil, e da Emancipação do Município de Ribeirão, no dia 11 de setembro. O prefeito de Ribeirão à época, Salomão Correia Brasil, que pertencia ao antigo partido PDS, comunicou a recusa do padre ao então deputado estadual Severino Cavalcanti, também do PDS, que denunciou o pároco ao então ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel, pela recusa ser um afronto à pátria.

Dias depois, os membros do STF (Superior Tribunal Federal) confirmaram a decisão por unanimidade – 11 votos a zero. Depois de ser expulso, o padre voltou para a Itália, onde permanece até hoje como pároco na região de Úmbria.

Em um dos comunicados enviados à prefeitura e à Câmara de Vereadores de Ribeirão, o padre justificou a não realização das missas porque o país e o seu povo não viviam a independência por completo devido à ditadura militar. “Faço cientes aos excelentíssimos senhores que não será celebrada a missa de ação e graças no dia 7 de setembro e no dia 11, na forma e no horário anunciados, isso por vários motivos, entre os quais a não efetiva independência do povo reduzido à condição de pedinte e desamparado em seus direitos”, informou o padre.

Dom Genival Saraiva de França afirmou que a Igreja Católica deu total apoio à decisão do padre. Em uma das conversas que teve com ele, “o padre destacou que a política jamais deveria ser misturada à religião. Sem consultarem, os políticos da região de Ribeirão colocaram a missa na programação alusiva ao dia Sete de Setembro. O padre recusou e isso foi apoiado pela Igreja”, disse França, destacando que tanto nos dias 7 e 11 de setembro o padre iria celebrar missas normalmente, mas “fora da programação política.”

Segundo dom Genival, o padre “questionou aos governantes da época do município se existia mesmo liberdade para a tais missas. No dia Sete de Setembro daquele ano, o padre celebrou duas missas, uma na cidade e outra na zona rural. Não havia necessidade de celebrar nada mais em praça pública, e isso não foi entendido pelo governo da ditadura”.

A revalidação do visto de permanência do padre Vito Miracapillo, depois de uma ação ingressada pela Igreja Católica no Brasil, foi comemorada pela CNBB, região nordeste 2. Dom Genival destacou que a decisão foi vista como uma vitória.

“Agora a Justiça foi feita. O padre já tinha obtido visto de turista e, no governo de Itamar Franco, foi lhe oferecido um outro novo visto, mas não era justo. O que queríamos era a invalidação da expulsão dele, pois foi uma injustiça”, diz dom Genival. “A revalidação do visto permanente é vista para nós como se ele nunca tivesse sido mandado embora do país.”

Com informações do UOL Notícias