Na abertura da instalação da sessão paraense da Fundação Maurício Grabois, Eneida Guimarães, a coordenadora-geral da direção constituída, compôs a mesa com Paulo Murilo Guerreiro do Amaral, representando o reitor da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Juarez Quaresma; a professora Ester Jacinto Morais, representando professora Ana Célia Bahia Silva, reitora da Universidade do Amazonas (Unama); a vereadora de Belém Sandra Batista (PCdoB); e o jornalista Osvaldo Bertolino.

Eneida fez um breve histórico da Fundação, explicou que ela foi instituída pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e apresentou o coletivo dirigente local, composto por ela e por Edval Bernardino Campos, Maria do Socorro Ferreira, Humberto Mariano de Almeida, Paulo Cesar Fonteles Filho, Maria do Socorro Ferreira, Jureuda Guerra, Jorge Lopes Faria, Marcelo Sarraf, Joaquina Barata, Carlos Alberto Maciel, Michel Santos Sodré, João Bosco Maia da Silva, Rodolfo Fernando Morais, Leila Mourão, da Silva, José Maria Reis.

Segundo Eneida, essa “gama de intelectuais”, pessoas que têm prestado importantes serviços no pensar a história e o modo como as políticas são implantadas, certamente poderá fazer um importante trabalho no Estado. Para ela, será nos debates das propostas que a Fundação poderá apresentar alternativas para a sociedade do Pará para que a população possa ser melhor beneficiada com riquezas do Estado. Eneida agradeceu ao IAP por ter aberto as portas ao evento e à jornalista Daniele Franco, que muito contribuiu para fazer chegar a notícia da instalação da Fundação no Pará.

Novas tarefas

Osvaldo Bertolino fez uma saudação ao evento, destacando que a energia de Eneida, que pegou a tarefa de constituir a direção local da Fundação com afinco. “Em torno dessa iniciativa, a Fundação tende a ter um papel muito importante”, afirmou. Segundo ele, o Estado do Pará tem um histórico progressista, com importantes personagens da história democrática brasileira — como o biografado homenageado no evento, Pedro Pomar —, citando a Guerrilha do Araguaia e outras memoráveis jornadas do povo paraense contra a opressão e tirania.

A Fundação no Pará, salientou Osvaldo Bertolino, certamente cumprirá bem o seu papel, pelo potencial do coletivo que assumiu a direção, na tarefa de estudar a riqueza paraense para a história do povo brasileiro E, fundamentalmente, iluminar e apontar caminhos para novos desafios, novas tarefas, dando prosseguimento à história democrática e progressista do Estado. Ele explicou como foi a constituição da Fundação pelo PCdoB e a sua finalidade, informando sobre produção de ideias, debates e projetos que resultaram publicações, além da edição regular da revista Princípios e do Portal Grabois.

A professora Ester Jacinto Morais disse que aquele era um importante para quem tem presente a história do Brasil e da Amazônia, com a participação do PCdoB e de outros movimentos que se colocaram contra a ditadura. Como representante de uma instituição acadêmica, disse ela, era muito importante para a preocupação com a história, o compromisso com o regaste da memória dos acontecimentos. Em nome da Universidade do Amazonas, ela saudou o empreendimento e parabenizou a iniciativa de constituir a direção local da Fundação.

A vereadora Sandra Batista disse q Fundação presta um serviço muito importante, porque o Brasil está vivendo um momento em que o seu povo encontra a sua história. “Estão aí as Comissões da Verdade, a memória, o povo querendo saber o que aconteceu no país”, destacou. Segundo ela, muitos acontecimentos históricos alavancaram a vivência de hoje do povo, daí a importância de resgatar a memória de personalidades como Maurício Grabois, João Amazonas e Pedro Pomar. “Precisamos de momentos como esse para nos encontrar com aqueles que defendem o marxismo”, enfatizou.

Jorge Panzera

Jorge Panzera, presidente estadual do PCdoB, lembrou que a Fundação lançou três biografias importantes — as de João Amazonas, Maurício Grabois e Pedro Pomar —, cujos biografados têm vínculos com o Pará. Amazonas era paraense, assim como Pedro Pomar. E Maurício Grabois escreveu suas páginas finas em terras paraenses, comandando a Guerrilha do Araguaia. Ele afirmou que o Estado do Pará tem uma história de forte vinculação de construção da história dos comunistas no Brasil. Nas décadas finais do século XX, lembrou, figuras como Paulo Fonteles, Expedito Ribeiro de Souza, Newton Miranda, João Canuto se destacaram como heróis e mártires do povo.

Os comunistas do Pará, salientou, tem uma história também no campo da cultura, com Dalcídio Jurandir e Eneida de Moraes, dois dos maiores escritores do Brasil. “A identidade que temos com essa terra tem relação com o nível de exploração que ainda existe, tem relação com a resistência do povo paraense, que vem dos primórdios”, destacou, emendando que isso fortalece a presença dos comunistas. Para o PCdoB, disse Jorge Panzera, é importante compreender a história para transformar o Brasil. Ver a história olhando para o futuro, na defesa de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, completou.

Segundo ele, o Brasil tem necessidade de se desenvolver mais, de evoluir no processo de construção de uma nação soberana, independente, democrática, desenvolvida e com justiça social. “Por isso temos ajudado a construir os governos de Lula e Dilma, e por isso queremos construir essa caminhada do Brasil com o olhar dos que passaram por aqui”, enfatizou. Para Jorge Panzera, os pesquisadores paraenses têm a responsabilidade de fazer avançar as mudanças pelas quais passa o Brasil. “Temos uma responsabilidade muito grande, porque estamos na Amazônia. E nesses dez anos a lógica de desenvolvimento do Amazonas pouco mudou.

Noite de autógrafos

Jorge Panzera enfatizou que é preciso pensar um caminho novo. “Não existem outros que vão pensar esse caminho novo. Porque pela história do Brasil, mesmo nos partidos de esquerda, que pensam em mudanças profundas e radicais nas estruturas sociais e econômicas, pouco se conhece sobre a realidade da Amazônia. E não se pode pensar o desenvolvimento do Brasil sem pensar o desenvolvimento da Amazônia”, detalhou.

Segundo ele, a região tem ativos de desenvolvimento econômico com mais riquezas do que o pré-sal. Citou a abundância de água e sol, a terra e o solo riquíssimos, além da floreta com uma biodiversidade incalculável e do povo local. O evento terminou com o coquetel de lançamento da biografia de Pedro Pomar e a noite de autógrafos do jornalista Osvaldo Bertolino.

Fotos: Angelina Anjos

Assista ao vídeo sobre o centenário do Pedro Pomar: