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    Economia

    Futuro do trabalho exige respostas: propostas para emprego e direitos

    Autor reúne medidas para fortalecer renda, ampliar cobertura social e modernizar instituições diante das mudanças produtivas e tecnológicas em curso

    POR: Clemente Ganz Lúcio

    4 min de leitura

    Homem com placa oferecendo serviços e procurando trabalho em rua. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Homem com placa oferecendo serviços e procurando trabalho em rua. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Mundo do trabalho, políticas públicas e negociação coletiva: desafios e respostas  

    Nos dois textos anteriores, foram examinadas as grandes transições que reconfiguram o mundo do trabalho e os desafios estruturais que atravessam essas mudanças. Nesta etapa final, o foco recai sobre uma agenda articulada de respostas, voltada à reorganização das relações de trabalho com mais proteção social, inclusão produtiva e fortalecimento da democracia.

    + Nota Técnica: Redução da Jornada de Trabalho e o Fim da Escala 6×1

    Parte 3 – Agenda articulada de respostas

    A seguir, apresento proposições que buscam fortalecer o debate e orientar a reorganização das relações de trabalho de forma mais justa e inclusiva nos seguintes campos:

    1. Da política pública de emprego, trabalho e renda

    • Reestruturar e modernizar o sistema público de emprego.
    • Integrar intermediação, qualificação, orientação e proteção à renda em um sistema nacional de inclusão produtiva.
    • Regular e proteger as novas formas de trabalho.
    • Vincular a política industrial e tecnológica a metas de emprego de qualidade.
    • Desenvolver capacidade prospectiva sobre ocupações, setores e territórios.
    • Valorizar o salário mínimo e fortalecer a formalização.
    • Fortalecer a negociação coletiva e seus instrumentos.

    + Especialistas analisam impacto das transformações tecnológicas, precarização e o cenário político-ideológico das relações laborais. Confira as análises de Clemente Ganz, Giovanni Alves e Kenzo Soares:

    2. Das políticas sociais e previdenciárias

    • Ampliar a cobertura diante da fragmentação do trabalho.
    • Adaptar a previdência e a proteção contributiva a trajetórias descontínuas.
    • Fortalecer a assistência, os cuidados e a proteção à renda.
    • Prevenir riscos psicossociais e ocupacionais emergentes.
    • Construir mecanismos de proteção nas transições ecológica, digital e demográfica.
    • Articular as políticas públicas de proteção da renda e integrá-las em um sistema de inclusão produtiva e de geração de empregos de interesse coletivo, comunitário e público.

    3. Da negociação coletiva

    • Regular, em tempo real, mudanças produtivas e tecnológicas.
    • Negociar a distribuição dos ganhos de produtividade.
    • Proteger jornadas, saúde e condições de trabalho.
    • Ampliar a cobertura para a representação e a representatividade.
    • Incorporar novos temas, como inteligência artificial, algoritmos, clima, cuidados, diversidade e formação contínua.
    • Fortalecer os sindicatos como instituições centrais de regulação democrática do trabalho e sua capacidade de financiamento e investimento.

    Conclusão
    Articular políticas públicas e negociação coletiva para um desenvolvimento com justiça, inclusão e democracia

    Os próximos anos não serão marcados por uma única mudança, mas pela convergência de grandes transições — tecnológicas, ecológicas, demográficas, geopolíticas e institucionais. Essas transformações reconfiguram a produção, alteram ocupações, deslocam cadeias produtivas, pressionam sistemas de proteção e desafiam as formas tradicionais de representação e regulação do trabalho.

    + Mais-valia e rumos distintos da jornada de trabalho na América Latina
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    Belluzzo: do campo à inteligência artificial, a era da hiperindustrialização

    Diante desse cenário, a resposta não pode ser fragmentada. É fundamental articular a política pública de emprego, trabalho e renda, as políticas sociais e previdenciárias e a negociação coletiva. O objetivo é evitar que as transformações em curso aprofundem precariedades e desigualdades e, ao contrário, convertê-las em oportunidade para construir um novo padrão de desenvolvimento, baseado no trabalho decente, na transição justa, na proteção social e na democracia econômica.

    Nota da edição

    Este artigo integra a série Mundo do trabalho, políticas públicas e negociação coletiva: desafios e respostas. Ao longo de três partes, o sociólogo Clemente Ganz Lúcio analisa as transformações em curso nas relações laborais, seus impactos estruturais e os caminhos possíveis no campo da proteção social, da ação estatal e da representação sindical.

    + Leia também:

    Parte 1: Transições do mundo do trabalho: desafios e respostas possíveis
    Parte 2: Salário, proteção e emprego: os desafios concretos do trabalho


    Clemente Ganz Lúcio é sociólogo, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, membro do CDESS – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República e do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil. Enviado especial para COP-30 sobre Trabalho, coordena o Grupo de Facilitação do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, consultor e ex-diretor técnico do DIEESE (2004/2020).

    *Este é um artigo de opinião. As ideias expressas pelo autor não necessariamente refletem a linha editorial da Fundação Maurício Grabois.