Este domingo (12) marca 54 anos do início da repressão do Exército brasileiro à Guerrilha do Araguaia, levante armado organizado pelo PCdoB para enfrentar a ditadura militar, instaurada após o golpe de 1964. No dia 12 de abril de 1972, mais de dez mil soldados iniciaram os ataques às bases do PCdoB na Guerrilha do Araguaia, organizada no sul do Pará com 69 guerrilheiros. O conflito durou mais de dois anos e resultou na morte de 54 combatentes do PCdoB.
Importante documento sobre esse episódio, o filme Araguaya, a conspiração do silêncio (2006), escrito e dirigido pelo cineasta carioca-paraense Ronaldo Duque e filmado em Marituba, no estado do Pará, foi premiado nos festivais de Gramado, Nova Iorque e Trieste, na Itália. Vinte anos após seu lançamento, o diretor Ronaldo Duque busca apoio para um projeto de restauração da película, para garantir a preservação do material e a circulação do filme em salas de cinema ou aplicativos de streaming. “O filme continua na sua versão original em película no formato Cinemascope 35 mm. Chegou a hora de restaurar porque a gente corre o risco muito grande de perder o material, que hoje já não tem a qualidade necessária para fazer uma boa exibição pública”, explicou o cineasta ao Portal Grabois.
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A restauração e masterização do filme para os formatos 4K (Ultra High Definition) e DCP (Digital Cinema Package) garantem a preservação da integridade artística e técnica da película, bem como sua exibição em diferentes plataformas, assim como o arquivamento digital desse material. “A importância cultural do filme Araguaia terá renovada trajetória nos cinemas e em operadoras de streaming, fundamental para que se torne acessível a novos espectadores. A digitalização e o restauro vão assegurar o acesso a este filme de grande relevância para a história cultural e política brasileira”, destaca a proposta de restauração da película com um orçamento estimado em R$ 200 mil.
Em um momento em que filmes brasileiros como Ainda Estou Aqui (2024) de Walter Salles, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, obtiveram o reconhecimento internacional ao abordarem o período da ditadura militar, Ronald Duque destaca a importância de garantir a preservação e circulação do filme sobre a Guerrilha do Araguaia. “O episódio da Guerrilha do Araguaia continua sendo obscura para a maioria da população brasileira. Estou procurando apoios para ter uma versão em boa qualidade do filme para que ele seja exibido nesse momento que o cinema brasileiro retoma temas importantes para a consolidação da nossa democracia”, afirma o diretor.
Em um momento em que filmes brasileiros como Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, obtiveram reconhecimento internacional ao abordarem o período da ditadura militar, Ronaldo Duque destaca a importância de garantir a preservação e circulação do filme sobre a Guerrilha do Araguaia:
“O episódio da Guerrilha do Araguaia continua sendo obscuro para a maioria da população brasileira. Estou procurando apoios para ter uma versão em boa qualidade do filme para que ele seja exibido nesse momento em que o cinema brasileiro retoma temas importantes para a consolidação da nossa democracia.”
Sobre o filme
O filme conta a história da Guerrilha do Araguaia, da perspectiva de Padre Chico (Stephane Brodt), religioso francês que chegou à região no início dos anos 1960. Sua profunda identificação com a população local, associada a seu sentimento religioso e suas dúvidas existenciais, faz com que presencie os eventos ligados à formação da Guerrilha do Araguaia. O elenco representa personagens centrais da trajetória do PCdoB durante a resistência à ditadura: Oswaldão, estudante de engenharia que fez curso de guerrilha na China, é interpretado por Northon Nascimento; já Maurício Grabois, comandante da guerrilha durante seis anos e dirigente do partido, ganha vida na atuação de Cacá Amaral, no personagem Velho; enquanto André Grabois, desaparecido na guerrilha aos 27 anos, é interpretado por Danton Mello no personagem Zé Carlos.
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Integram ainda o elenco principal da trama Françoise Forton, Guto Madeira, Cláudio Jaborandy e Fernando Alves Pinto.
Ficha Técnica:
Drama
Brasil, 2006
Direção: Ronaldo Duque
Roteiro: Ronaldo Duque, Guilherme Reis, Paula Simas
Com Northon Nascimento, Françoise Forton, Danton Mello
105 minutos. 12 anos