O evento contou com a presença do historiador e membro do Comitê Central, Augusto Buionicore, que autografou a obra ao lado do deputado Raul Carrion e de Diorge Konrad, co-autores do livro. A publicação reúne fatos, dados, informações, interpretações de episódios históricos e opiniões acerca da presença do Partido Comunista do Brasil na história brasileira.

A história dos comunistas não pode ser reduzida apenas a um conjunto de efemérides, embora elas tenham sua importância. Ela é parte integrante da luta de idéias e instrumento na construção de uma nova hegemonia na sociedade. “O PCdoB é uma legenda que beira os 90 anos, em um país em que os partidos, em sua maioria, têm vida efêmera e precária”, afirma Carrion. Como destacou Buonicore, “é impossível entender a história brasileira sem conhecer a história do PCdoB”.

Mas escrever uma história composta por 88 anos de lutas não é uma tarefa fácil. Muitos documentos e publicações se perderam ao longo dos anos de clandestinidade e perseguição política. Uma outra parte da história se encontra apenas na memória dos antigos militantes. Nesse sentido, ressaltou Buonicore, é necessário o empenho dos comitês estaduais em coletarem esses documentos, fotos e depoimentos para que essa parte da história do PCdoB não se perca. Como deixaram bem claro os três autores, quem perde a luta pela memória, perde a luta pela hegemonia.

Auto-crítica

A obra remonta a 1997, quando a direção nacional do Partido, por proposição de João Amazonas, constituiu uma comissão especial para redigir a história do Partido. Amazonas, à época, apresentou a diretriz que regeria o trabalho: nada de interpretações triunfalistas que alardeassem tão somente os acertos, mas uma análise viva, crítica, multilateral, alicerçada em fontes históricas sólidas. “Trata-se de uma auto-crítica sincera a partir da realidade e não para fazer propaganda ideológica”, explicou Konrad.

Diálogo com a juventude

A história do PCdoB é um pedaço da história do Brasil, que a sociedade precisa conhecer melhor. Contudo, ela é desconhecida principalmente pelos mais jovens. Como destacou Buonicore, o partido precisa “falar não apenas para essa juventude que entra no PCdoB, mas principalmente para aquela que está do lado de fora do partido. Pois quem dialoga com ela é a rede globo, são os jornais conservadores. Essa é a literatura, a mídia, que a juventude está assistindo. Nós temos que dar outra informação”. Para o dirigente comunista, é preciso fazer não apenas internamente a propaganda da história do PCdoB e da luta social do Brasil, “mas fazer uma propaganda externa disso para que a juventude possa debater essas questões. Ou fazemos isso ou seremos derrotados”.

Presenças

Entre os presentes estavam o presidente do PCdoB/RS, Adalberto Frasson e a futura secretaria estadual de Turismo, Abgail Pereira, entre outros dirigentes e militantes comunistas. O deputado Raul Carrion destacou a presença de Pedro Alvares, que teve importante papel na sua filiação ao partido comunista.

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Fonte: Vermelho-RS