Seis meses depois de criar a Comissão da Verdade, a presidenta Dilma Rousseff anunciou os setes nomes que integrarão o grupo. A espera valeu a pena. A escolha foi minuciosa e mostrou a preocupação da presidenta em dar caráter plural à comissão, que representa o Estado brasileiro. Ao optar por pessoas que não fazem parte de movimentos de familiares de vítimas, Dilma imprimiu um perfil técnico ao órgão, acima de preconceitos e de revanchismo. A lista de integrantes despertou o entusiasmo dos defensores dos direitos humanos e criou expectativa positiva entre os familiares de desaparecidos, que esperam que venha à luz a verdadeira face da repressão e da tortura. Embora não tenha poder para processar os envolvidos, a comissão terá acesso a todos os arquivos e colherá depoimentos de testemunhas. Antes de anunciar os nomes, a presidenta se reuniu com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. No encontro, fez questão de ressaltar a importância do trabalho que será feito para resgatar a história do país.

O governo selecionou especialistas de diferentes áreas e com passagem pelos governos posteriores ao regime militar, com exceção de Fernando Collor e Itamar Franco. O primeiro nome confirmado foi o do sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, ex-secretário de Direitos Humanos de Fernando Henrique Cardoso, que hoje faz parte do Conselho de Direitos Humanos da ONU. O porta-voz será o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Gilson Dipp. No time de advogados estão José Paulo Cavalcanti, José Carlos Dias (ministro da Justiça de FHC) e Rosa Maria Cardoso, que defendeu a ex-guerrilheira Dilma nos anos 70. A interlocução com o Ministério Público ficará nas mãos do ex-procurador Cláudio Fonteles, e a análise de condutas e depoimentos será coordenada pela psicanalista Maria Rita Kehl. Como prova da pluralidade do grupo, os ex-presidentes José Sarney, Fernando Henrique, Collor e Lula participarão da solenidade de posse na quarta-feira 16, no Palácio do Planalto.

Em jantar com a presidenta Dilma na quinta-feira 10, que durou mais de três horas, os membros da Comissão se mostraram otimistas com a possibilidade de detalhar melhor o que aconteceu entre 1964 e 1988. “Todos os familiares têm direito a conhecer a história de seus desaparecidos e de quem possa ter ultrapassado os limites da lei”, afirmou o ministro Gilson Dipp. A expectativa dos familiares é de que o grupo crie um ambiente propício para futuros pedidos de reparações na Justiça. “Queremos reparações e isso será possível com a abertura dos arquivos secretos da ditadura”, avalia Victória Grabois, a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais no Rio de Janeiro.

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As informações são da revista IstoÉ