“Oito décadas de vida e um percurso que continua, de mais de sessenta anos de militância revolucionária. Um rico legado ao Brasil, à classe trabalhadora e à jornada pelo socialismo”, descreve o documento.

O PCdoB, ressalta a nota,  “chega ao seu centenário por obra de várias gerações de militantes e de grandes lideranças. E quanto há, neste primeiro século do PCdoB, do legado de elaborações, lutas e realizações de Renato Rabelo!”

Confira abaixo a íntegra:

Saudação ao aniversário de 80 anos de Renato Rabelo

Quando o Partido Comunista do Brasil realiza as celebrações de seu centenário, sua militância, conjuntamente com lideranças do povo e das forças progressistas do país, tem o júbilo de comemorar, neste 22 de fevereiro, o aniversário de oitenta anos do camarada Renato Rabelo — um dos principais dirigentes e edificadores do PCdoB.

Oito décadas de vida e um percurso que continua, de mais de sessenta anos de militância revolucionária. Um rico legado ao Brasil, à classe trabalhadora e à jornada pelo socialismo.

Aos trinta anos, no auge do terror da ditadura militar, Renato liderou, em 1972, com outros camaradas da Ação Popular Marxista-Leninista (APML) – entre eles Haroldo Lima, Aldo Arantes, Ronald Freitas, Péricles de Souza –, a incorporação desta organização ao Partido Comunista do Brasil.

Neste ano do centenário do Partido exatamente, completa-se meio século de presença destacada de Renato no núcleo da direção nacional do PCdoB. Por décadas, atuou ao lado de João Amazonas, que o indicou, no 10º Congresso partidário, em dezembro de 2001, para sucedê-lo no posto máximo da direção nacional, função que exerceu até maio de 2015.

A presidência de Renato Rabelo aporta, ao PCdoB e à esquerda brasileira, destacadas elaborações políticas na esfera da tática e da estratégia.

Em 2002, defendeu que se impunha, à vitória de Lula, uma frente ampla social e política liderada pela esquerda, mas que se estendesse para além dela. Formulou, também, a definição, em 2003, das diretrizes para um fato inédito na história do Partido e do país: os comunistas, pela primeira vez à frente de responsabilidades no governo da República, entremeio ao duro enfrentamento à agenda da oposição neoliberal e do imperialismo.

Diante de bons ventos, concebe imprimir audácia à tática partidária, que resulta, em 2010, numa bancada de 15 deputados/as federais e o Partido passa a ter duas cadeiras no Senado Federal. A legenda abraça com entusiasmo o desafio de governar: lideranças do Partido assumem Ministérios, a presidência da Câmara dos Deputados, dezenas de prefeituras e o governo do Maranhão. Outro grande fruto dessa conduta afirmativa é a fundação, em 2007, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), classista e plural, que nasce com o apoio decidido dos comunistas.

Renato Rabelo, em 2009, liderou a elaboração do texto programático do PCdoB, o Programa Socialista para o Brasil, que delineia o caminho brasileiro para o socialismo, isto é, a luta agora e já pela realização de um novo projeto nacional de desenvolvimento. Uma jornada com rumo e caminho. Elaboração inovadora que se constitui numa relevante contribuição para o pensamento estratégico do PCdoB e da esquerda brasileira. A presidência do camarada também lega forte protagonismo na luta de ideias e na formação de quadros, na ampliação das relações internacionais do PCdoB e nas ações de solidariedade internacionalista, e uma nova síntese da trajetória histórica do Partido.

Em maio de 2015, Renato Rabelo, após criteriosa consulta ao coletivo dirigente, indica Luciana Santos para sucedê-lo, que tem seu nome aprovado na 10ª Conferência, em clima de unidade e entusiasmo.

Aos oitenta anos, Renato lembra as veteranas e frondosas árvores de nossa Amazônia, que seguem a nos proporcionar novas floradas e colheitas. Hoje, à frente da Fundação Maurício Grabois, concentra-se no desafio fulcral da contemporaneidade: os caminhos e conteúdos, sob o prisma do marxismo, de uma nova luta pelo socialismo no século XXI. Jogar luzes e mais luzes sobre a alternativa ao capitalismo em crise.

Falar de Renato sem falar de seu gigante coração, de sua grandeza humana, de sua solidariedade, de sua empatia e imensa capacidade de ouvir e acolher, de sua resiliência e resistência, das centenas de lideranças que ajudou a formar, seria descrevê-lo, quando muito, pela metade.

O Partido chega ao seu centenário por obra de várias gerações de militantes e de grandes lideranças. E quanto há, neste primeiro século do PCdoB, do legado de elaborações, lutas e realizações de Renato Rabelo!

Vida longa e feliz aniversário, camarada Renato!

Brasília, 22 de fevereiro de 2022

Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

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