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    Economia

    Grabois e PCdoB participam da elaboração do Programa Lula 2027-2030

    Além de integrar a coordenação do processo, comunistas indicaram especialistas para contribuir com os 13 eixos temáticos que vão orientar o plano de governo a ser apresentado nas eleições de 2026

    POR: Davi Molinari

    8 min de leitura

    Plano Participativo "Pelo Brasil, pelos brasileiros" orienta a construção do programa de governo que será debatido pelas forças políticas que apoiam o presidente Lula para o período 2027-2030. Crédito: Reprodução / Plano Participativo Pelo Brasil, pelos brasileiros.
    Plano Participativo "Pelo Brasil, pelos brasileiros" orienta a construção do programa de governo que será debatido pelas forças políticas que apoiam o presidente Lula para o período 2027-2030. Crédito: Reprodução / Plano Participativo Pelo Brasil, pelos brasileiros.

    O programa de governo do próximo mandato do presidente Lula (2027-2030) está em construção com a participação de partidos, fundações, especialistas de diferentes áreas e contribuições da sociedade. A Fundação Maurício Grabois (PCdoB) integra a coordenação do debate participativo e da formulação final do documento Plano Participativo pelo Brasil, pelos brasileiros.

    Ao lado da Fundação Perseu Abramo (PT), responsável pela coordenação geral dos trabalhos, da Fundação João Mangabeira (PSB), da Fundação Herbert Daniel (PV) e da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini (PDT), a Fundação Maurício Grabois participa da análise das contribuições apresentadas nos grupos temáticos e na consulta pública nacional, que irão orientar a elaboração da proposta final a ser apresentada ao país.

    Além de integrar a coordenação do processo, PCdoB e Grabois indicaram uma equipe de mais de 30 dirigentes, pesquisadores e especialistas para contribuir com cada um dos 13 eixos temáticos do plano.

    O presidente da Fundação Maurício Grabois, Walter Sorrentino, lembrou da participação do PCdoB nos planos dos governos progressistas.

    “A elaboração do programa de governo para as campanhas de Lula e Dilma sempre teve a participação ativa do PCdoB. Não será diferente agora. Nós nos somamos ao esforço coletivo das forças que apoiam o presidente Lula e, ao mesmo tempo, apresentamos nossas opiniões próprias num documento da direção nacional em elaboração.”

    Sorrentino indica as prioridades dos comunistas:

    “Nossa preocupação é dar ênfase à perspectiva de uma vida melhor aos brasileiros, um futuro mais definido com democracia e valorização do trabalho, o que implica uma arrancada no crescimento econômico do país. Nosso foco central é afirmar rumos soberanos ao país, com um plano nacional de desenvolvimento, no centro do que está a industrialização avançada em novas bases tecnológicas e, evidentemente, a Ciência, Tecnologia e Inovação. Evidentemente, isso implica mobilização política para superar as ameaças, obstáculos e carências da atual situação do Brasil e do mundo.”

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    Além da participação nos grupos nacionais de formulação, o PCdoB criou um Grupo de Trabalho específico para articular e sistematizar suas contribuições ao programa. Coordenado pela Executiva Nacional do Partido, o GT reúne oito integrantes e conta com o apoio de pesquisadores vinculados aos grupos de pesquisa da Grabois. A secretária de Planejamento do PCdoB, Neide Freitas, vai acompanhar a organização dos trabalhos junto aos demais responsáveis pelos grupos temáticos.

    Plano Participativo

    O Plano Participativo pelo Brasil, pelos brasileiros foi lançado pela Fundação Perseu Abramo, durante seminário realizado em 29 de maio, em São Paulo, com a presença dos dirigentes comunistas Altair Freitas, secretário nacional de Organização do PCdoB; Rovilson Brito, presidente do PCdoB-SP; e Walter Sorrentino, presidente da Fundação Maurício Grabois. O programa de governo é coordenado pelo economista e ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

    O texto está aberto para colaborações individuais ou em grupo até 30 de junho no site do plano participativo. Após cadastro, é possível opinar, sugerir mudanças e incluir algo novo nos 13 eixos temáticos. As contribuições são lidas, sistematizadas e consideradas na formulação final do documento.

    Conforme preconiza o texto de apresentação, a engenharia social e econômica deve ser voltada para o amparo aos que mais necessitam e para a inclusão daqueles que historicamente foram marginalizados pelos ciclos econômicos, assegurando que o desenvolvimento nacional não deixe nenhum cidadão para trás: “Não deixar ninguém para trás, não governar apenas para ricos e privilegiados, mas para todas e todos”.

    Compromissos fundamentais e princípios inegociáveis

    O texto estabelece os seguintes compromissos fundamentais: democracia política e participação social genuína; desenvolvimento econômico com justiça social; pluralidade cultural e respeito à diversidade; redução de desigualdades e equidade de oportunidades; soberania nacional em áreas estratégicas.

    E define princípios inegociáveis, não abertos a debate: apoio ao multilateralismo e à multipolaridade; luta intransigente contra todas as desigualdades (renda, raça, cor, gênero, origem); compromisso inarredável com a democracia; Brasil altivo, independente e soberano; rejeição à xenofobia; compromisso intergeracional com o combate às mudanças climáticas e com a construção de uma economia sustentável.

    O documento também realiza um balanço rigoroso da herança de destruição do golpe de 2016 e do governo Bolsonaro – com retrocessos graves em assistência social, educação, saúde, trabalho e soberania – e da reconstrução em curso desde 2023, projetando os próximos passos de transformações estruturais. E lembra que as eleições de 2026 ocorrerão em um cenário de avanço da extrema-direita e do fascismo em diferentes países.

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    Seis dimensões da soberania nacional

    Um dos eixos centrais do documento é a soberania nacional, apresentada em diferentes dimensões consideradas indispensáveis para qualquer projeto de desenvolvimento.

    • Soberania Digital: infraestrutura nacional de dados, regulação de big techs, combate à desinformação e fraudes, retenção de valor econômico gerado por dados brasileiros.
    • Soberania Energética e Mineral: exploração responsável do pré-sal e da Margem Equatorial, aproveitamento de minerais críticos e terras raras com agregação de valor no país, expansão de fontes renováveis sustentáveis.
    • Soberania Alimentar: assegurar que alimentação saudável e de qualidade chegue às mesas de todas as famílias brasileiras.
    • Soberania na Defesa Nacional: capacidade de dissuasão estratégica, forças armadas bem equipadas e indústria de defesa sólida.
    • Soberania Geopolítica: Brasil cada vez mais independente, soberano e ativo no cenário mundial, promovendo paz e integração.
    • Soberania Tecnológica: vanguarda na economia digital, IA, Big Data e fármacos, com o Estado como indutor do investimento científico (exemplo do Pix) e fortalecimento dos complexos econômicos da saúde e da defesa.

    Um processo que fortalece o campo democrático e popular

    A atuação da Grabois e do Partido busca garantir que esses eixos se traduzam em políticas concretas, com participação popular permanente e fortalecimento do Estado como indutor do desenvolvimento. Conforme destacou Walter Sorrentino, a iniciativa representa um passo importante na construção de um programa de governo verdadeiramente coletivo, que atualiza as bandeiras históricas do Partido – soberania nacional, defesa da classe trabalhadora, redução de todas as desigualdades, multilateralismo e multipolaridade – para os desafios do século XXI: revolução digital e IA, transição energética justa, crise climática e a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento com justiça social.

    Representantes do PCdoB e da Fundação Maurício Grabois

    O Partido e a Fundação já definiram os quadros políticos e especialistas que participarão dos 13 grupos temáticos responsáveis pela elaboração das propostas do programa de governo.

    1. Queremos governar para e com a cidadania, melhorando a vida das famílias – Democracia, Reforma Política e Participação Social: Ronald Freitas, Paulo Guimarães
    2. Queremos governar ainda melhor, aumentando a eficiência do gasto público – Modelo de governo, orçamento, eficiência do Estado: Iago Montalvão, Augusto Madeira, Flávio Tonelli
    3. Precisamos reduzir mais as desigualdades, diminuindo ainda mais a pobreza, e queremos mais direitos para todos e todas – Enfrentar a desigualdade, políticas públicas transversais: Flávia Calé, Edson França
    4. Temos de assegurar o direito de todas e todos a viver em um país seguro e sem violência – Segurança Pública: José Carlos Pires, Thiago Rodrigues
    5. Queremos cidades melhores para viver – Saneamento, Habitação, Mobilidade Urbana: Ana Paula Bernardes, Germana Pires
    6. Precisamos melhorar a vida no campo, garantindo comida e exportações – Soberania alimentar, produção de alimentos e o agronegócio: Luiz Rodrigues, Luciano Rezende, Vânia Marques Pinto
    7. Todos têm direito à garantia de bons sistemas de saúde e de educação – Saúde e Educação: Ronald Santos, Yann Evanovick e Jorge Venâncio
    8. Para nós, a cultura é transformadora – Cultura, economia criativa, desenvolvimento integral: Alexandre Santini, Milton Barbosa
    9. O Brasil moderno precisa de mais inovações, digitalização, descarbonização, indústria e ganho de produtividade – Energia, Indústria, Financiamento, Minerais Críticos, Inovações, Digitalização, Produtividade: Iago Montalvão, Renata Mielli
    10. Precisamos promover a segurança e reduzir a pobreza energética, evitando a crise climática: André Tokarski, Inamara Melo, Theófilo Rodrigues
    11. Mudanças do mundo do trabalho exigem proteção aos trabalhadores – Trabalho e renda: Rogério Nunes, Carolina Ruy, Nivaldo Santana
    12. O Brasil é cada vez mais importante no mundo – Inserção externa, política externa, BRICS: Amanda Harumi, Ana Prestes, Rubens Diniz, Ronaldo Carmona
    13. Precisamos fortalecer a economia que conhecemos, mas também desenvolver novas economias, ampliando oportunidades para todos e todas – Taxa de investimentos, Juros, Equilíbrio Fiscal, BC: Diogo Santos, Aloísio Barroso, Davidson Magalhães