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Terrenos baldios
Adalberto Monteiro16 de setembro de 2002O azul e o sol doem nos olhos, caminho pela vila, pela vida, percorro o mundo. Um velho cavalo cansado arrasta ladeira acima uma carroça de areia e uma antiga folha de jornal rasteja ao sopro do vento; as crianças, afiando, polindo varas de bambu, cortando papel-de-seda, molhando o dedo ou jogando areia para cima […]
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Ferramentas
Elder Vieira13 de setembro de 2002Albuquerque gostava de ferramentas. Colecionava todas. Tinha desde o trivial – martelo, serrote, plaina, chaves de fenda, grifo – até furadeiras elétricas, bancada, profusão de parafusos, pregos, arruelas, porcas e tudo o que se podia imaginar. Não emprestava nada. Um vizinho vinha solicitar e ele era taxativo: não empresto. A mulher reclamava. […]
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quase um poema
Dorberto Carvalho12 de setembro de 2002Jamais a fluidez do sangue se nunca em revoada os sentidos Jamais talvez se nunca a voz do não florescido ainda e sempre em palavras que retornam na escuridão dos olhos cerrados (Batidas na porta) Não recebo ninguém esta hora, depois, cansa-me dizer, por exemplo, porque homens se embriagam, e vendem cebolas.
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