A Resolução do Bureau de Informação dos principais partidos comunistas europeus sobre a situação do Partido Comunista da Iugoslávia é uma lição de grande significado para os trabalhadores do mundo inteiro. O povo da Iugoslávia, que havia conquistado em lutas heróicas um novo tipo de Estado, a República Popular, expressão de seus anseios de liberdade e progresso, tomou conhecimento pela Resolução do Bureau de Informação, que o seu trabalho e a sua luta estão sendo realizados sobre estrada que conduz ao pântano imperialista e não à grande e luminosa clareira do socialismo. Seus dirigentes, envaidecidos pelos êxitos e espicaçados pelo aguilhão venenoso do nacionalismo burguês, atiram-se contra a Pátria de Lenin e Stalin, fecham os ouvidos à crítica fraternal e construtiva dos Partidos Comunistas irmãos e traem, assim, a causa da solidariedade internacional dos trabalhadores.
Este, sem dúvida, é um fato de amarga constatação. Mas os comunistas do mundo inteiro não costumam chorar sobre ruínas. Aprendem com os erros e sabem que quanto mais difícil for a tarefa, mais serão capazes de fortalecer a sua vontade de luta. Vêem nos acontecimentos da Iugoslávia, uma lição que proporciona valiosa experiência capaz de servir à educação de milhões de combatentes da classe operária. E nem poderia ser de outra maneira. Os que crêem prescindir da experiência histórica das lutas sociais, não fazem outra coisa que afastar-se do marxismo-leninismo.

Marx, quando descobriu e formulou as leis do desenvolvimento da sociedade, não traçou receitas para todos os casos e para todas as épocas. Ele estabeleceu princípios gerais cuja aplicação depende de um estudo aprofundado de cada época e de cada caso particular. Se é certo que o proletariado como classe e através da sua vanguarda organizada, compreendeu de há muito que o capitalismo será substituído pelo socialismo, não é menos certo que da teoria à prática, da transformação da possibilidade em realidade vão grandes distâncias e imensas dificuldades a vencer.

Sabemos que há todo um período do movimento socialista marcado pela predominância de teorias e dogmas que negavam a essência revolucionária do marxismo que conduziam o proletariado para caminho diverso daquele que leva à derrubada do capitalismo. E sabemos também que foi Lenin quem fez reviver o conteúdo verdadeiro da doutrina de Marx—Engels, através a luta que ele mesmo dirigiu e a experiência viva dos erros e acertos registrados na estrada até então percorrida pelos trabalhadores de todo o mundo. Ele foi o forjador da teoria e da tática da revolução proletária.

A Experiência Soviética Ilimina o Caminho dos Povos

POR ISSO as forças de vanguarda do proletariado mundial, para avançar com segurança na luta em que se empenham pela libertação dos seus povos, devem ter presentes os ensinamentos da Revolução Russa nas suas diferentes etapas. A experiência do Partido Bolchevique é um guia para todos os povos e, por essa razão, sua história é estudada com empenho por todos aqueles que não desejam andar às tontas.

Realmente, a Revolução na Rússia, teve que se desenvolver levando em conta os mais diversos aspectos econômicos, culturais e políticos de dezenas de povos que constituíam o país, alguns dos quais atravessando a fase do escravagismo, senão de sistema ainda mais atrasado. Ali, para vencer, tinha que ser aplicada uma política baseada na ciência de Marx—Engels, ciência que Lenin aprofundou e desenvolveu e que Stalin continua desenvolvendo, já que outros métodos não poderiam dar soluções acertadas e justas a problemas de tão grande complexidade. É fácil compreender que o que podia e devia ser aplicado como justo na Rússia propriamente dita, na Ucrânia ou Bielo-Rússia, não podia dar senão resultados negativos no Turquestão, na Basquiria ou em Kirkuizia.

Torna-se, assim, evidente que todos os povos, em maior ou menor grau, encontrarão na sua marcha para o socialismo algo de comum com o processo realizado na União Soviética. Por onde irão passar, passaram já os bolcheviques. É certo que cada povo terá que buscar o seu próprio caminho para o socialismo, mas nenhum poderá fugir aos princípios básicos, às leis fundamentais da Revolução.

Também a Rússia havia de dar ao mundo a maior e mais valiosa contribuição para a solução do problema nacional. E foi Stalin quem definiu e traçou as linhas mestras desse problema de decisiva importância para a conquista e a consolidação do socialismo, já que, o regime capitalista, pela sua própria natureza, faz crescer entre as massas o espírito do chauvinismo mesquinho, dividindo os povos, e as nações, em opressores e oprimidos. Stalin nos ensina:

“A existência do capitalismo sem opressão nacional é tão inconcebível quanto o é a existência do socialismo sem a emancipação das nações oprimidas, sem a liberdade nacional”(1).
Na velha Rússia esta questão tomava formas ultra-degeneradas. O czarismo, na. verdade, era a opressão mais brutal dos chamados povos grandes russos contra todas as nações e minorias nacionais que formavam o Império, opressão que ia desde a proibição do desenvolvimento industrial das nações que ficavam na periferia, e do uso da língua materna, até os pogroms mais vergonhosos contra os judeus. Coube aos bolchevistas liquidar tão monstruosa herança do czarismo e o fizeram com sabedoria, apagando desconfianças seculares e erigindo o primeiro Estado multinacional baseado na verdadeira união e fraternidade dos povos, modelo do que será, no futuro, a união da grande família dos trabalhadores do mundo inteiro. Para realizar esta difícil tarefa tiveram os bolchevistas que travar uma luta das mais enérgicas contra o nacionalismo burguês, estreito e egoísta, que se manifestava inclusive no seio do Partido, solapando os alicerces mesmos da luta comum dos trabalhadores e dividindo-os no interesse dos capitalistas. A URSS foi, assim, o primeiro país a proclamar na prática o valor do internacionalismo proletário.

O movimento de libertação de todos os povos, além disso, não pode deixar de levar em conta que a URSS é um Estado Socialista, onde o proletariado domina e já conseguiu eliminar as classes. Na URSS, portanto, é mais difícil do que em qualquer parte do mundo não-socialista, a penetração de elementos ideologicamente capitalistas nas fileiras do Partido. O proletariado soviético constitui, inegavelmente, a vanguarda mais esclarecida, nos dias de hoje, do proletariado revolucionário do mundo inteiro.

O Nacionalismo: Origem dos Erros do PC Iugoslavo

DIRIGENTES do Partido Comunista da Iugoslávia puseram tudo isto à margem. Desviaram-se para o charco do nacionalismo burguês e começaram a exagerar suas próprias forças, como assinala o Resolução do Bureau de Informação.

Antes de mais nada, é preciso compreendermos que a Iugoslávia sempre foi um Estado onde predominavam, durante muito tempo, ambas as formas de nacionalismo: o nacionalismo opressor da metrópole (Servia) e o nacionalismo localista anti-servio dos croatas, montenegrinos, bosnianos, macedônios e outros. Todavia, apesar das ambições imperialistas da Servia, a Iugoslávia de uma ou de outra forma, sempre esteve na dependência dos imperialistas anglo-franceses ou alemães, que sabiam, por sua vez, explorar as divergências nacionalistas ali existentes. Não foi por acaso que Hitler ao invadir o país, criou dois Estados sob a liderança da Servia e da Croácia, garantindo a este último a hegemonia política.

Por outro lado, a economia da Iugoslávia é predominantemente camponesa e os camponeses, pelas categorias sociais distintas que representam na sociedade capitalista, e como camadas médias que são, voltam-se constantemente para o nacionalismo burguês.

O que isto devia significar para o P. C. iugoslavo? Devia significar vigilância ativa contra os desvios nacionalistas que surgiriam fatalmente, não fossem combatidas com firmeza por um Partido ideologicamente forte, tarefa que impunha, por sua vez, o fortalecimento do Partido no seio da classe operária e a garantia da sua hegemonia na direção do Estado e das lutas populares, porque só a ideologia do proletariado pode vencer tendências desse tipo.

Ao contrário, no entanto, como diz o Bureau de Informação, Tito e seus companheiros caíram no terreno da subestimação do papel do Partido, considerando a Frente Popular como a força dirigente do Estado. O Partido deixou de ter programa próprio seguindo como seu o programa da Frente Popular, organização ampla constituída por elementos de todas as classes e camadas sociais. Disse Tito:

“O Partido Comunista da Iugoslávia tem outro programa diferente do programa da Frente Popular? Não, o PC não tem outro programa. O programa da Frente Popular é também o seu programa”(2).
Ora, uma força de vanguarda que não tem programa, ou que transforma como seu programa o das organizações de massa, deixa na verdade de ser vanguarda, o destacamento avançado da classe operária, para descer e confundir-se com a massa dos sem partido. Nesta questão os dirigentes comunistas da Iugoslávia esqueceram-se do conselho de Stalin que, em 1921, já advertia:

“Os comunistas naturais do país, que atravessaram o duro período da opressão nacional e ainda não se libertaram totalmente desse pesadelo, exageram frequentemente a importância de suas particularidades nacionais no trabalho do Partido e dos Sovietes, deixando na penumbra os interesses de classe dos trabalhadores; ou contundem simplesmente os interesses dos trabalhadores da nação em foco com os chamados interesses “comuns a toda nação”, não sabendo desligar os primeiros dos segundos nem basear naqueles o trabalho do Partido. Essa circunstância, por sua vez, leva a desviar-se do comunismo para o nacionalismo burguês”(3).
A subestimação do papel dirigente do Partido, num país, como a Iugoslávia onde não se pode marchar para o socialismo sem grandes dificuldades, põe em perigo todo o esforço e o sacrifício feito pelo seu povo. Ali há tarefas imensas e difíceis que não podem ser realizadas sem a construção de um Partido verdadeiramente bolchevique, gozando de real prestígio e bem ligado às massas. É evidente que só um Partido deste tipo pode assegurar a disciplina do trabalho e o impulso revolucionário indispensáveis ás tarefas que se impõem, e só um Partido deste tipo pode inspirar confiança e vencer as tendências ao desanimo que sempre surgem nos momentos difíceis.

Por outro ledo, na Iugoslávia, já pouco se fala em aplicar os ensinamentos do marxismo-leninismo, e muito, em criar. Sobretudo no terreno militar, esquecem que sua vitória só foi possível obter graças ao esforço e ao sacrifício dos exércitos e povos soviéticos, dando a impressão, às vezes, que foram eles, e só eles, quem liquidaram Hitler.

Swetozor Vulkmanovic, tenente general do Exército iugoslavo e membro do Comité Central do Partido, escreveu:

“Creio não estar enganado quando afirmo que isso ia formação de um Exército Popular constitui uma experiência nova na luta contra o imperialismo, oferecida ao movimento operário internacional pelo camarada Tito e nosso Partido. No futuro o imperialismo terá de ajustar contas com o novo método de criação de exércitos populares e de organização de insurreições populares”(4).
Como se vê, o general iugoslavo não lembra mais que a luta de guerrilhas é uma experiência que vem de muito longe, ainda da época de Marx, e faz parte integrante da estratégia do Exército Vermelho. E esquece também que a organização de insurreições populares não é novidade iugoslava. Decerto não se deve subestimar o estorço patriótico e glorioso dos guerrilheiros iugoslavos, sua luta valente e abnegada contra o invasor nazi-fascista, mas é preciso ter a medida do esforço e compreender que, quando muito — e vai nisto um grande mérito — souberam aplicar os ensinamentos e a experiência histórica das lutas do proletariado mundial, especialmente da União Soviética. Colocados a alturas vertiginosas por uma falsa compreensão da realidade, não querem nem mesmo aceitar os fatores favoráveis que talvez lhes tivessem permitido lutar em melhores condições que outros povos também sob a ocupação nazista; pelo visto, para eles, ou para o general Swtozor Vurkmanovic, o fato da resistência de outros países não ter assumido formas mais altas, reside na falta de um gênio que pudesse “criar” novos métodos de organizar insurreições populares. . .

Esta auto-suficiência é que faz os ouvidos se fecharem até mesmo ao apelo fraternal e construtivo do Partido de Stalin e dos comunistas de outros países. Sem dúvida acreditamos que o proletariado e o povo da Iugoslávia, que agora atravessam duríssima crise, saberão reagir e liquidar com os erros dos seus dirigentes, forçá-los a mudar de atitude ou substituí-los, como indica o Bureau de Informação, mas terão que lutar decididamente pondo em primeiro plano o conselho de Lenin:

“a tarefa consiste em salvaguardar a unidade da luta de classes do proletariado pela conquista do socialismo, repelir todas as influências burguesas e ultra-reacionárias do nacionalismo”(5).

Justa e Oportuna a Constituição do Bureau de Informação

PODEMOS verificar, agora, com os acontecimentos da Iugoslávia, melhor do que antes, a importância, justeza e oportunidade da constituição do Bureau de Informação dos Partidos Comunistas, que se realizou em setembro do ano passado, em Varsóvia. Como assinalou Zhdanov, nessa ocasião, referindo-se ao isolamento em que ficaram os Partidos irmãos depois de dissolvido o Comintern,

“a experiência demonstrou que um tal isolamento dos PP. CC. não é justo, é nocivo e substancialmente falso”.
Porque:

“o movimento comunista desenvolve-se no quadro nacional, mas ao mesmo tempo, há tarefas e interessas comuns aos partidos comunistas dos diversos países”(6).
A constituição do Bureau de Informação era, assim, uma tarefa histórica: estabelecia um centro de troca de experiências necessárias que, por sua natureza, fortalece o internacionalismo proletário e abre novos rumos, pela crítica e auto-crítica, a todos os Partidos Comunistas, especialmente os europeus, para guiarem seus povos com segurança.

Não há dúvida que a marcha dos países europeus para o socialismo, nas condições atuais, não é fácil. São complexos, muito complexos mesmos, os problemas que enfrentam e que exigem soluções audaciosas, mas previdentes, baseadas fundamentalmente na realidade social de cada povo. O imperialismo luta contra as democracias populares através da chantagem e da pressão exterior em todos os terrenos, mas luta igualmente por meio do embuste, da sabotagem e da espionagem, do estímulo, se necessário, às soluções esquerdistas, sempre na esperança de abater o animo dos povos, de levantar as massas camponesas contra o novo poder e encontrar pretextos que justifiquem a sua intervenção.

Os capitalistas derrotados não renunciam à luta pelo paraíso perdido. A verdade é que, a medida que se avança no caminho do socialismo mais se aprofunda e se agrava a luta de classes. Os capitalistas por isso se esforçarão cada vez mais e usarão de todos os recursos — os mais vis que se possam imaginar, para pôr abaixo o poder que se encontra nas mãos do povo. Eles apoiarão tudo quanto possa contribuir para quebrar a unidade e disposição de luta dos povos, apoiarão o revolucionarismo oco dos partidos pequeno-burgueses contra o Partido do proletariado, apoiarão e insuflarão o nacionalismo burguês. Sua esperança de restauração não morre enquanto houver uma única possibilidade em que confiar. E a! estão Truman, Marshall e Bevin prometendo em altas vozes aos reacionários do mundo inteiro, em primeiro lugar aos dos países da Europa Oriental, uma ação guerreira com fortalezas voadoras e bombas atômicas.

Para combater tais propósitos era indispensável assegurar-se a coordenação de esforços e utilizar bem a crítica e auto-crítica. O Bureau de Informação significa, com efeito, a vigilância ativa contra todos os desvios que se ‘possam manifestar na frente socialista e, em conseqüência, propícia uma ajuda de caráter ideológico e político a todos os comunistas do mundo.

Não é por outro motivo que a reação fez tanta gritaria em torno da sua fundação, e o faz agora, no caso do P. C. da Iugoslávia. Desta vez pelo menos a gritaria serve para desmascarar as próprias acusações anteriores. Que dizia antes a reação? Dizia que o Bureau fora criado para submeter com mão de ferro todos os Partidos Comunistas à “tirania” de Moscou e acusava os Partidos Comunistas de serem organizações totalitárias, onde os militantes vivem sujeitos a disciplina do “crê ou morre”. Que aparece agora através da Resolução do Bureau? Aparecem os Partidos Comunistas como realmente são: as organizações mais sérias, honradas e democráticas que existem sobre a terra. O Bureau atuou realmente junto aos dirigentes iugoslavos. mas em que sentido? Para condenar os métodos anti-leninistas de organização empregados no P. C. Iugoslávia. Nesse sentido, diz a Resolução:

“No Partido não há democracia interna, nem elegibilidade dos órgãos dirigentes, nem crítica e auto-crítica. . . as reuniões do Partido não são convocadas ou o são em segredo, o que não pode deixar de prejudicar a influência do Partido no seio das massas”(7).
E protesta pelo fato de que “sejam calcados aos pés os direitos mais elementares dos membros do partido”. Ora, tal atitude deve causar espanto a todos aqueles que acreditavam nas calúnias assacadas contra os comunistas; tais pessoas não poderão deixar de perguntar a si mesmas: “Então existem coisas desta natureza nos Partidos Comunistas e são assim tão importantes que mereçam condenação pública?” 0 fato serve para mostrar a milhões de trabalhadores o caráter democrático da sua força de vanguarda, ao mesmo tempo que lhes permite julgar melhor o tipo de democracia proletária que existe na União Soviética pois foi o Partido Bolchevique, em primeiro lugar, quem denunciou os métodos arbitrários e terroristas que vinham sendo aplicados pelos atuais dirigentes da Iugoslávia.

Outra faceta da gritaria reacionário sobre a Resolução do Bureau é a que se refere ao método da crítica. Perguntam os comentaristas burgueses: “o que teria levado o Bureau, ou Moscou, a romper publicamente com Tito? Por que não se faz tudo por baixo da cortina?” E formulam como resposta as mais desencontradas e absurdas suposições. Que pode haver, porém, de surpreendente? O Bureau usou o método leninista da crítica fraternal e direta, crítica que não visa interesses próprios mas objetivo o esclarecimento amplo dos povos iugoslavos e de todo o mundo. Os comunistas não usam de processos diplomáticos à moda burguesa, de meios hipócritas, para dizer o que pensam. Desde que se convencem que têm razão, afirmam-no corajosamente, pois não fazem política pessoa! para ganhar favores, para galgar ou se manter em posições importantes. Ainda sob este aspecto o documento de Bucareste desmascara a todos aqueles que acreditavam em comunistas “privilegiados” ou “apadrinhados”, demonstrando que a crítica honesta e construtiva atinge a todos indistintamente, ainda quando se trate de um homem com o passado e o prestígio de Tito.

Algumas Lições Para o Brasil do Documento Publicado

NÓS, OS COMUNISTAS brasileiros, devemos estudar com atenção e seriedade o documento de Bucareste sobre a Iugoslávia, a fim de tirar dele as experiências que sirvam a nossa própria luta e contribuam para elevar o nível ideológico do nosso Partido. Também nós cometemos erros em passado bem recente, erros que nos impediram de opor mais energicamente obstáculos à marcha da reação interna, que se apóia no imperialismo norte-americano. É já de todos conhecida a crítica e a autocrítica feita pelo camarada Prestes, em nome de todos os dirigentes comunistas brasileiros, apontando as causas desses erros e a maneira de corrigi-los rapidamente para colocarmo-nos à altura dos acontecimentos que não esperam pelos que se atrasam.

O documento de Bucareste para nós é tanto mais importante quando verificamos que alguns dos erros ali criticados, foram em certo sentido e guardando as proporções e as situações distintas cometidos pelos comunistas brasileiros. A verdade é que nós, subestimamos, na prática, em certa medida, o papel dirigente do Partido, deixando de lado os objetivos estratégicos do seu programa para nos envolvermos nas pequenas manobras parlamentares do dia a dia e usamos formas de luta primarias e ineficientes que, no conjunto do avanço da reação interna e externa, não podiam representar mais do que obstáculos insignificantes. De algum modo olvidamos o conselho de Stalin no que diz respeito a frente única com a burguesia nacional, conselho de extraordinária clareza e que, na atual etapa da revolução brasileira, precisamos ter sempre em vista.

“Quer isto dizer — perguntava Stalin referindo-se a aliança com a burguesia nacional — que os comunistas não devem aguçar a luta dos operários e camponeses contra os latifundiários e a burguesia nacional, que o proletariado deva sacrificar, em grau mínimo que seja, por um minuto que seja a sua independência? Não, não quer dizer tal coisa”(8).
Olvidando este ensinamento valioso, na verdade, sobreestimamos o papel da burguesia nacional, subestimando ao mesmo tempo, o aliado fundamental do proletariado —- as massas camponesas. Por isto é que Prestes, corajosamente, na autocrítica realizada, ao invés de esconder ou tergiversar o erro, prefere destacá-lo com bastante força. Diz ele:

“Essa tendência direitista se caracteriza ainda pela sistemática contenção da luta das massas proletárias em nome da colaboração operário-patronal e da aliança com a “burguesia-progressista”, assim como pela pouca atenção dada às lutas dos trabalhadores rurais contra o latifúndio, o que significa a subestimação, na prática, da massa camponesa como principal aliado do proletariado”(9).
Observamos, assim, que se manifestaram ideologias estranhas no Partido, no seio da sua própria direção, o que devemos combater com firmeza, estudando mais, criticando mais, seguindo o exemplo de Prestes que ensina e aprende com as massas, enfim, esforçando-nos para interpretar fielmente os princípios do marxismo-leninismo-stalinismo. O documento do Bureau deve servir de advertência a todos nós para a luta pela elevação do nível ideológico do Partido, levando-se em conta o rápido e grande crescimento do nosso Partido a cujas fileiras afluem permanentemente homens e mulheres não só do proletariado mas também de diversas camadas sociais não proletárias, sobretudo em certas regiões do país. Mais do que nunca precisamos fortalecer o Partido como organização de vanguarda do proletariado, estimulando a prática da crítica e da auto-crítica construtivas, ligando-nos cada vez mais às massas trabalhadoras para conduzi-las à luta contra a miséria e a opressão, contra o latifúndio e o imperialismo. Só desse modo seremos capazes de vencer as debilidades que surgiram em nossas fileiras e impedir que possamos, mais adiante, cometer erros que possam prejudicar seriamente a nossa luta pela vitória do movimento revolucionário brasileiro.

Precisamos também intensificar no Partido o esclarecimento do que é o internacionalismo proletário e nesse sentido, entre outros materiais, devemos estudar o discurso do camarada Prestes pronunciado na Assembléia Constituinte sobre a guerra imperialista, discurso da mais relevante atualidade. Devemos compreender que lutar pelo internacionalismo proletário é condenar sem medo esse nacionalismo pífio das classes dominantes que entregam nossas riquezas ao conquistador estrangeiro, batendo nos peitos um amor pela Pátria, tão indigno e miserável quanto o dos Laval, Quisling, Petain, Titzo e tanto outros traidores.

É combatendo contra os que vendem o pais aos magnatas da Wall Street e desmascarando os traidores que abrem as portas do nosso território aos soldados de Truman, é lutando pela independência e soberania do Brasil e pela amizade com todos os povos, destacadamente com os grandes e heróicos povos da União Soviética, e das democracias populares, que procederemos como internacionalistas conseqüentes. Como ensina Prestes:

“só se chega ao verdadeiro internacionalismo através da completa independência nacional, porque o contrário chama-se colonização ou escravidão”(10).
Hoje podemos avaliar melhor a profundidade desse pensamento do dirigente máximo do nosso povo, quando a evolução dos acontecimentos fez do imperialismo ianque o inimigo comum de toda a humanidade progressista, quando portanto cada golpe assestado contra ele no Brasil, na China, na Grécia ou em Berlim, é um golpe que ajuda a luta dos outros povos pela independência e a soberania de suas Pátrias.

Novas Armas Para a Conquista do Socialismo

OS FASCISTAS e reacionários de toda a parte se embandeiraram em arco para saudar a traição divisionista dos dirigentes atuais da Iugoslávia. Cobraram ânimo novo na sua empreitada sinistra contra a liberdade dos povos e imaginam que outras defecções surgirão na frente unida socialista européia, facilitando os planos de domínio mundial do capital financeiro. Mas já estão se convencendo, pela realidade dos fatos, que a Resolução do Bureau de Informação veio reforçar poderosamente no mundo inteiro o campo de luta democrática e antiimperialista e fornecer ao proletariado novas armas de combate para a conquista e a edificação do Socialismo.

Notas:
(1) Stalin: “Sobre as tarefas imediatas do Partido. “O Marxismo e o Problema Nacional e Colonial. Pág. 261 — Editorial Vitória. 
(2) Tito — A frente popular da Iugoslávia. — Problemas, n.° 5 — Pég. 61. 
(3) Stalin. “Sobre as tarefas imediatas do Partido. Obra citada. Página 370. 
(4) Swetozor Vurkmarovic — “Como se formou o Exército Popular da Iugoslávia. “Problemas”, n.° 9 — Pág. 177. 
(5) Lenin: “Sobre o direito de auto-determinação das nações. Obras Escolhidas. Vol. II, pág. 363. 
(6) Zhdanov — “Pela paz, a democracia e a independência dos povos” — “Problemas”, n.° 5 — Pág. 42. 
(7) Resolução do Bureau de Informação: “A Classe Operária” edição de 10-7-48″.
(8) Stalin: “Sobre o problema da China”. Obra citada. Pág. 305. 
(9) Prestes: “Como enfrentar os problemas da Revolução Agrária e Anti-imperialiata. “Problemas”, n.° 9, pág. 33. 
(10) Prestes: “Problemas atuais da Democracia”. Carta ao tenente Severo Fournier. Pág. 36