Camaradas:

É com justo orgulho que saudamos a realização do IV Congresso de nosso Partido. É profundamente honrado que dele participamos. Saudamos e apoiamos integralmente o grande informe do camarada Prestes.

A realização do IV Congresso marcará uma etapa histórica na vida do Partido. As suas decisões impulsionarão as atividades de todos os comunistas e novas perspectivas se abrirão para nosso povo.

Para a UJC, as resoluções emanadas do IV Congresso servirão de roteiro seguro para toda a sua atividade futura, possibilitando-lhe novas e poderosas armas que impulsionarão as lutas da mocidade brasileira para a conquista de um futuro melhor.

Diz o camarada Prestes em seu Informe:

«A transformação do Programa do Partido em realidade viva exige a participação ativa da juventude na frente democrática de libertação nacional».
Com efeito, a juventude no Brasil representa um enorme potencial humano. 53% dos brasileiros têm menos de 20 anos, 1/4 do proletariado da cidade e 1/3 dos camponeses são jovens. A juventude assimila rapidamente idéias novas; graças a sua combatividade, a sua generosidade e a sua sinceridade, constitui uma força de primeira ordem nos movimentos de transformação social. A juventude fornece os efetivos do exército que será amanhã um exército nacional a serviço do povo, ou um exército mercenário à disposição dos fautores de guerra. Na juventude, se preparam e se forjam os quadros do movimento operário.

Um dia perguntaram a Esopo se a língua era uma coisa boa ou má, ao que ele respondeu: «A língua pode ser a melhor ou a pior das coisas; depende do uso que dela se faça». O mesmo ocorre com a juventude: temível quando mal orientada e capaz dos atos mais extraordinários quando bem orientada! Que significa uma juventude bem orientada? Significa ganhá-la para o Programa do Partido. A juventude só terá solução para os seus inúmeros problemas se forem resolvidos os problemas fundamentais da nação brasileira.

Diariamente agravam-se as suas condições de vida. O governo das atuais classes dominantes, coloca-se contra as reivindicações da juventude, não se interessa pelo seu bem-estar nem pela sua educação. Ao contrário, procura cultivar na juventude uma ideologia retrograda e belicista. Apela para os recursos mais infames, com o fim de desviar a juventude do caminho da luta pela libertação nacional e por suas reivindicações especificas. O atual governo procura criar as condições para mais facilmente explorar a juventude e levá-la às aventuras guerreiras.

Somente a substituição do atual governo por um governo democrático de libertação nacional poderá garantir à juventude uma vida de paz, de liberdade e de felicidade. Este é o caminho seguro apontado à juventude pelo Programa de nosso Partido, que atende às aspirações e aos desejos essenciais dos jovens brasileiros.

Guiada e orientada pelo Partido, a UJC é o instrumento capas de ganhar os milhões de jovens para o Programa. Daí crescer de importância o seu papel. Ao reorganizar a UJC, em agosto de 1950, o Comitê Central de nosso Partido baseou-se na experiência do movimento operário internacional e principalmente nos magistrais ensinamentos de Lênin:

«Devemos ser sem reserva por uma organização independente da União das Juventudes, e isso não apenas porque os oportunistas temem essa independência, mas também para o bem da causa. Sem uma completa independência, a juventude não poderá fazer sair de seu seio bons socialistas, nem poderá preparar-se para levar adiante o socialismo».
O Comitê Central apoiou-se também nas experiências de nosso Partido colhidas em sua luta constante para orientar e organizar a juventude, em particular as dos anos de 1927 a 1935, quando da existência da Federação da Juventude Comunista do Brasil.

Sob a direção de nosso Partido, a UJC conseguiu uma maior participação da juventude na luta em defesa da paz, das liberdades democráticas e da independência nacional. Isso se refletiu nas 600 mil assinaturas ao Apelo de Estocolmo e no milhão de assinaturas ao Apelo por um Pacto de Paz colhidas pela juventude; nas manifestações contra o envio de tropas para a Coréia; na preparação e na participação nos festivais internacionais pela paz e a amizade, de Berlim e Bucareste; nas lutas travadas principalmente pelos estudantes e suas organizações em defesa do petróleo e contra a aprovação do «Acordo Militar Brasil-Estados Unidos».

Estimulada pelo avanço crescente das lutas de massas dirigidas pelo Partido, em particular os combates travados pela classe operária por melhores condições de vida, a UJC deu um certo impulso à luta era defesa dos direitos da juventude. As greves dos estudantes secundários contra o aumento crescente do custo do ensino, que abarcaram em média de 60 a 80 mil estudantes; a participação mais ativa da juventude operária nos últimos movimentos grevistas, com experiências como a utilização do clube da empresa na paralisação da Fábrica Cruzeiro, na greve dos têxteis do Distrito Federal; a criação de departamentos juvenis e recreativos nos sindicatos de São Pau!o e Distrito Federal, permitiram despertar os jovens operários para a vida sindical, trazendo-os para reforçar a organização e a unidade da classe operária. Estes são exemplos que mostram que os jovens brasileiros lutam cada dia com mais vigor nelas suas sentidas reivindicações.

Depois do surgimento do Programa do Partido assistimos a um novo ascenso nas lutas da juventude. Tivemos as duas greves decretadas pela União Nacional dos Estudantes em defesa das liberdades, que abrangeram 40 mil universitários. As lutas dos estudantes paraenses obrigaram a transferência de um general fascista que havia declarado que «o voto de um general deveria valer mais que o voto de uma lavadeira». O amplo movimento de solidariedade dos estudantes pernambucanos ao jornalista e estudante Clodomir Morais, teve uma grande repercussão em todo o país. Assim, esses e outros movimentos foram importantes fatores para incorporar novos setores da juventude à luta em defesa das liberdades.

Ajudada diretamente pelo Comitê Central do Partido, a UJC iniciou a partir de janeiro deste ano uma campanha pela elevação do nível político e ideológico de seus militantes, através de cursos e de palestras. Foram instaladas escolas de 11 dias e de 4 dias, nas quais passaram mais de 300 militantes e dirigentes intermediários da UJC. Com isto, conseguiu-se certa elevação da combatividade da UJC, que se refletiu na destacada atuação da UJC nos acontecimentos de 24 e 25 de agosto, salientando-se os militantes da UJC do Distrito Federal que participaram sob a orientação do Partido das demonstrações e das ações de rua contra a embaixada americana. A juventude paulista e gaúcha tiveram uma participação ativa, revelaram exemplar combatividade, contra o golpe americano de 24 de agosto. As demonstrações contra o golpe de agosto revelaram o ódio patriótico e sagrado da juventude brasileira ao opressor norte-americano, aos fautores de guerra dos Estados Unidos.

A elevação do nível político da UJC refletiu-se favoravelmente ainda através da sua ativa participação na campanha eleitoral. Por exemplo, os jovens do Distrito Federal visitaram mais de 50 mil casas durante a batalha das cédulas.

A publicação do Programa do Partido veio permitir que a UJC começasse a ter uma melhor compreensão sobre a nossa política de aliados. Ultimamente isto tem se refletido de modo particular no movimento estudantil, no qual viemos conseguindo uma ampla unidade em torno de uma série de importantes problemas. Isso já está se refletindo também na luta dos estudantes secundários pelo congelamento das taxas escolares, onde através de um amplo trabalho, incluindo a suplementação de verbas, vem se conseguindo ganhar os diretores de colégios para o grande movimento unitário e reivindicativo dos estudantes.

No entanto, há ainda sírias deficiências na atividade da UJC. Essas falhas se evidenciam na fraca atuação da UJC na execução das tarefas políticas do nosso Partido e na sua pouca preocupação em buscar seriamente os meios e formas de desenvolvê-las junto a cada camada da juventude de acordo com as características específicas da juventude e do movimento juvenil. As lutas em defesa da paz, das liberdades e da independência nacional não são ainda enfrentadas por toda a UJC como tarefas permanentes, são mais atividades realizadas em função de campanhas. A participação da juventude na preparação da Convenção de Emancipação Nacional e agora na ajuda à estruturação da Liga da Emancipação Nacional, por exemplo, vem sendo inferior à sua contribuição na luta patriótica contra o «Acordo Militar» e em defesa do petróleo. Muitas vezes, ocorrem fatos sérios sem o mínimo protesto da UJC, como por exemplo o convite revoltante feito às alunas do Instituto Brasil-Estados Unidos para irem sozinhas a uma festa noturna num navio de guerra norte-americano ancorado na baía de Guanabara.

As nossas deficiências e os nossos erros na UJC se evidenciam com particular nitidez na confusão que reina na UJC sobre a questão dos métodos e formas de trabalho juvenis e sua relação com os nossos fins revolucionários. Não se compreende ainda que esses métodos e formas de trabalho devem servir aos fins revolucionários indicados pelo Programa do Partido para a solução dos problemas da nossa pátria. Alguns companheiros encaram os bailes e as festas, por exemplo, como um fim em si mesmos, enquanto outros procuram realizar as tarefas políticas do Partido sem se preocuparem muito com os meios de melhor realizalas junto às massas juvenis. São erros de direção política que levam a UJC à posição de não se colocar com justeza e audazmente à frente das grandes massas juvenis. É o que se vê nas lutas da classe operária, das quais grande número de jovens trabalhadores participam sem a orientação e sem a direção da UJC. Isso se verifica também no movimento universitário, onde os demagogos udenistas ainda encontraram ambiente para sua atividade diversionista.

Apesar de ter multiplicado os seus efetivos iniciais por 10 e ter melhorado a sua composição social, a UJC, nestes últimos 4 anos, poucos militantes tem fornecido para o Partido. A UJC não realiza ainda um recrutamento em massa. Ainda é grande a flutuação em suas fileiras. Seu ritmo de crescimento é inferior ao do Partido. Muito pequeno é o recrutamento entre a juventude operária e camponesa. Isso se deve, entre outras coisas, à falta de uma ampla atividade política de massas, à falta de um trabalho de propaganda que atinja à grande massa de jovens. Mas, tais debilidades são devidas especialmente à inexistência dentro da UJC de um núcleo comunista sólido que ajude a formar a desenvolver os demais membros da UJC, que combata as tendências estranhas em tempo e que estude e sistematize as experiências novas do movimento de massas.

Camaradas:

No seu Informe ao IV Congresso, o camarada Prestes chama com justeza a atenção da direção da UJC, cuja tendência é fazer dessa organização um pequeno Partido Comunista. Essa tendência se verifica nos métodos de trabalho interno da UJC, onde procuramos copiar mecanicamente, em tudo e por tudo, os métodos de trabalho do Partido. Por exemplo, os métodos de trabalho de educação do Partido são transplantados esquematicamente para a UJC. Mas isto se verifica com graves prejuízos no trabalho de massas, no trabalho nos sindicatos.

Não temos sabido desvendar, pelos meios e formas accessíveis aos jovens, o conteúdo de classe reacionária de toda a política das classes dominantes, política de guerra e submissão ao imperialismo americano, cujos efeitos desastrosos refletem-se profundamente na vida da juventude. Em nossa orientação para o trabalho de massas juvenil não são levados em conta suficientemente os problemas e as peculiaridades da mocidade, que variam de lugar para lugar, que variam segundo sua categoria social, sua idade e suas inclinações. Trabalhamos com palavras de ordem gerais, o que tem dificultado nossa ligação com as diversas camadas da juventude, em particular com os milhões de jovens entre 14 e 18 anos. Não temos sabido, tampouco, encontrar as formas e os meios de ganhar a juventude e os militantes da UJC para as grandes idéias do socialismo, nem lhes fornecemos os necessários elementos ideológicos que lhes permitam combater com eficácia os malefícios da nefasta moral burguesa. Pouco tem sido feito para educar a juventude brasileira para a luta ativa pela paz, no amor ao povo e à pátria, ao progresso e à liberdade, para a luta contra a injustiça e a exploração, contra a ignorância e a passividade, no sentido de inculcar-lhe os princípios sadios do internacionalismo proletário, cuja pedra de toque é o amor, a confiança inabalável e a fidelidade sem limites à gloriosa União Soviética. Não temos sabido utilizar devidamente as formas de propaganda de massas, tais como as iniciativas de caráter cultural, os grupos teatrais, os centros de debates, etc. Isso permitiria trazer para a UJC os melhores jovens, desenvolvendo no processo de sua realização os quadros da UJC já existentes e formando novos. Isso permitiria estabilizarmos a permanência dos jovens na UJC e elevar-lhes a iniciativa e a combatividade.

As tendências sectárias têm prejudicado seriamente o fortalecimento orgânico da UJC e suas ligações com as massas juvenis. Isso se reflete na subestimação pelo recrutamento, existente em todos os escalões da UJC. Isso se reflete também na atividade de massas, onde a UJC substitui a atividade paciente e diária junto às massas juvenis, pelas atividades agitativas periódicas, através de campanhas.

As consequências imediatas de todas essas debilidades ocasionam o atraso nas lutas da juventude, que se retardam em relação às lutas da classe operária e do povo. Nosso desligamento das massas juvenis permite a atividade perniciosa das classes dominantes, que ainda conseguem envolver grande número de organizações juvenis. Este é o caso, por exemplo, dos pequenos clubes utilizados por forcas reacionárias na campanha eleitoral para eleger os inimigos de nosso povo. É o caso de entidades estudantis que foram arrastadas pelo movimento golpista de 24 de agosto, principalmente no Rio e em São Paulo.

Camaradas:

Sem a ajuda do nosso Partido é impossível à UJC cumprir as suas elevadas responsabilidades. É grande a subestimação do papel da juventude existente em todos os escalões do nosso Partido. São inúmeros os organismos do Partido que não tomaram conhecimento da Resolução do Comitê Central do Partido sobre a reorganização da UJC. A assistência e o controle do Comitê Central, tem sido, ultimamente, muito irregular. Nos Comitês Regionais a situação é ainda mais séria. Em São Paulo, por exemplo, a direção da UJC ficou meses sem assistência, sem ajuda do Secretariado do Comitê Regional do Partido.

Muitos companheiros do Partido pensam que a tarefa de organizar e dirigir a juventude é apenas tarefa de alguns especialistas destacados para esse trabalho, ou então incumbência apenas das organizações juvenis. Tais concepções são errôneas e trazem graves prejuízos. A unidade e a organização da jovem geração não é assunto privativo de tal ou qual organização da juventude, como não o é apenas dos comunistas que atuam nesta frente. É assunto fundamentalmente do Partido Comunista, forma superior de organização da classe operária.

Muitos companheiros do Partido tratam a UJC como se fosse um organismo do Partido. Descem quotas de finanças, descem tarefas da maneira mais esquemática No contacto com a juventude e diante de suas debilidades nota-se muita impaciência por parte de companheiros do Partido. Não procuram apontar as falhas e sugerir medidas, limitam-se a admoestar os militantes da UJC. Muitos companheiros do Partido mobilizam constantemente os membros da UJC para as tarefas que deveriam ser normalmente realizadas pelas Organizações de Bases do Partido, sobrecarregando de tal modo os militantes da UJC que os levam a abandonar as suas atividades específicas.

Ainda não há preocupação de todas as direções do Partido em formar os núcleos dirigentes da UJC. Por isso, existem uma grande instabilidade nas direções da UJC. No Distrito Federal, por exemplo, em pouco mais de um ano já foi mudado 5 vezes o presidente da UJC. Em São Paulo foram retirados mais de 30 dirigentes juvenis de organismos intermediários. O recrutamento para o Partido deve ser feito entre os militantes da UJC e nunca entre seus núcleos dirigentes, cujo papel ê justamente formar uma grande reserva para o Partido.

Tais métodos são prejudiciais, pois servem para freiar a iniciativa criadora dos jovens e quebrar o seu impulso e sua combatividade. Impedem a criação dos núcleos dirigentes da UJC e a formação de dirigentes do movimento juvenil.

Camaradas:

O Programa do Partido é a vida para a juventude. Ganhar os milhões de jovens para a frente democrática de libertação nacional exige um reforçamento da direção política do Partido sobre a UJC. Para isto é necessário e urgente um combate mais sério ao sectarismo, a procura persistente e paciente das formas de luta e dos métodos de organização que correspondam às características da juventude, corrigir enfim as falhas existentes nas relações entre os vários escalões do Partido e a UJC.

Assimilando e aplicando as preciosas indicações do Programa e as diretivas contidas no Informe do camarada Prestes, a UJC poderá, sob a direção do Comitê Central do nosso Partido e com a ajuda inestimável e imprescindível de todo o Partido, transformar-se em breve no seu poderoso instrumento auxiliar, em sua grande reserva.

Viva o camarada Prestes, chefe provado de nosso Partido e guia amado da juventude brasileira!

Viva o IV Congresso do nosso querido Partido!

Tudo pela vitória do Programa do Partido!